Há muito que as palavras são como os frutos proibidos
Da tua boca ousarei colhê-las
E em pequenas sílabas, saboreá-las
Como um dia Adão...
As palavras
São o pecado original que ainda não cometemos...
Entranhas estranhas do pensamento
Que as mãos da razão revolvem e volvem e sorvem
Com sabor de raiva na boca… Tudo é solidão
E a dor que desprezo, renego e enterro
Com gestos de amor, é um clamor, um louvor
Nos teus lábios de sangue.
No teu corpo, um grito mudo… Eterno, esse
Desejo que beijo na espuma salgada da tua pele.
É o tudo e o nada, extintos
No vento que brame, nos olhos exangues
Nas asas de um corvo, que mordo
Que morro.
V erdade sem engano, certo e muito verdadeiro, como o verbo e a
palavra e oÍ gneo Poder Primeiro – A Criação desvelada – no teu corpo impoluto,
desnudado inteiro…T eorema arcano, no silêncio dos meus dedos, perpetrado… A negro,
na tua alma.R evelando, sem pudor, por caminhos ocultados, a virtude dessa
Obra Magna.I gnoto deus… lá, onde a Vontade rasga o desejo que te devolve às
mãos, que teu corpo tecemO nde a razão de te ser é a via sublimada, liberta a luz dessa alba e
velha serpe, queL ânguida, e no teu corpo exangue enroscada, te despoja de ti e te
renasce do nada.