24 outubro 2006

As Palavras


Há muito que as palavras são como os frutos proibidos

Da tua boca ousarei colhê-las
E em pequenas sílabas, saboreá-las
Como um dia Adão...

As palavras
São o pecado original que ainda não cometemos...

23 outubro 2006

...


Nos dias turvos da tua ausência

Uma memória gélida me percorre a alma
em vazio silencioso
...
Como se o toque da morte passasse pelo corpo
Sem razão para ficar...

03 outubro 2006

Entranhas


Entranhas estranhas do pensamento
Que as mãos da razão revolvem e volvem e sorvem
Com sabor de raiva na boca… Tudo é solidão
E a dor que desprezo, renego e enterro
Com gestos de amor, é um clamor, um louvor
Nos teus lábios de sangue.
No teu corpo, um grito mudo… Eterno, esse
Desejo que beijo na espuma salgada da tua pele.
É o tudo e o nada, extintos
No vento que brame, nos olhos exangues
Nas asas de um corvo, que mordo
Que morro.


25 setembro 2006

Prefácio


O mar espumava toda a sua fúria em desejo
Força intrínseca que o alimentava nesse abismo
Entre duas venerandas taças de veneno contemplativo.

O vento uivava escarlate no horizonte do seu corpo
Em resposta nua ao seu apelo
Como passos num caminho outrora não trilhado
Por vagas de delírio interior de quem chora alegrias vespertinas
Em gestos calmos.

I

Como quem recebe uma notícia inesperada
Soltou um suspiro e levantou voo, como sempre fizera
Na doce ânsia do encontro.

Era uma manhã de Janeiro…

II

Deixou na cama o odor do seu corpo marmóreo, impoluto.

Não partira sem antes deixar a memória sua
Na memória dos que ficaram, grelando o tempo nos recônditos cantos
De memórias não cantadas.

III

Duas mãos rasgaram o passado que lhe era alheio…

IV

Não houve mágoa na partida, mas rosas Hecatinas ornavam suas asas
Abertas num terno e doce amplexo
De quem devora a vida em sorvos lentos

E na boca a vontade de mais…

V

Fizera-o sempre sem razão aparente
Pela Vontade, soberana, e o ensejo, inegável.
Fez-se Sol, Possuiu a Lua e
Frutificou os sonhos com que haveria de imacular os Homens…

VI

Voou tempos infindos
Amou aqui e ali a Terra de que se alimentava
O corpo repousava-o na memória dos que herdarão o seu Amor
Num fogo que redime os corpos e os transmuta a quatro tempos.

VII

Um dia ousou Chegar, fadado de si
E Olhou e Viu, em delírio diáfano, Circe, que se lhe entregou

O tempo parou nesse olhar.

Epílogo

Era um tempo que ninguém sabia…


19 setembro 2006

V.I.T.R.I.O.L

V erdade sem engano, certo e muito verdadeiro, como o verbo e a

palavra e o
Í gneo Poder Primeiro – A Criação desvelada – no teu corpo impoluto,
desnudado inteiro…
T eorema arcano, no silêncio dos meus dedos, perpetrado… A negro,
na tua alma.
R evelando, sem pudor, por caminhos ocultados, a virtude dessa
Obra Magna.
I gnoto deus… lá, onde a Vontade rasga o desejo que te devolve às
mãos, que teu corpo tecem
O nde a razão de te ser é a via sublimada, liberta a luz dessa alba e
velha serpe, que
L ânguida, e no teu corpo exangue enroscada, te despoja de ti e te
renasce do nada.